Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

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Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

Relatório sobre o que acontece

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portugueses sem Portugal

Não estou preparado para o meu trôpego individualismo – nem para o dos outros – carapaça coberta de ação, duelo vão, asa inimiga, magma e sabão. Por perto do parco mundo-cão, o centro do mundo-cadela, também paraverbal e infalível. A retórica na auréola do sol nos irmana e esventra – pura dança de crepúsculos, os moinhos de vento em procedimento de beleza até à inábil permuta sexual, pedestal a pedestal. Desvendamos a intimidade do domínio – desavergonhada camuflagem de girafa empinada em espetacular montagem poética, convulsão de raciocínios e holocaustos e desculpas sem culpa. Os poetas e as suas indiscretas tartarugas triunfam das razões do império, cabeças cheias de córtex frontal sorriem a Shakespeare: «Porto-galo». Amo estas assimetrias geográficas de moinhos de pera sem Pança. É preciso alguém habitar a pestilenta terra-queimada das metáforas, descrever a manipulação do espanto e as interdições da poesia, iniciar o poema de um país tépido onde os nomes se apagam: «Quixote», «Afonso Henriques», «Salazar» – arranhar em inglês as grandes agruras da existência preparadas para a não-solução da saudade que treme na espinha e assim seja o amor-próprio – e impróprio – de um país desaparecido para os seus amáveis habitantes.