Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

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Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

na ONU

O chocolate é para a minha fome uma solução demasiado fácil. Demasiado bom numa economia de voos distantes, demasiado forte a sensorialidade tropical que me chega à boca, demasiado rápida a saciedade de ejaculação precoce quase enjoativa. Contudo, condiciona-me como a um rato de laboratório vítima das suas próprias aprendizagens. Que se pode dizer ainda dos agonismos sociais e das suas assimetrias quando todos dispomos de um tão fácil recurso erótico? Portanto, não se trata da metafísica da doçaria nem da respetiva chocolataria civilizacional, mas de uma utilização política do cacau. É urgente a realização de uma assembleia geral das nações unidas dedicada ao chocolate. Não mais programas de ajuda destinados a fomentar economias, fomentemos o prazer e virá a paz social, o bem-estar para todos e também cultura e riqueza se as normas dos reforços e das recompensas forem bem administradas. Muitos assassinos e políticos corruptos poderão ser reconvertidos em chocoólicos, a própria voracidade desregrada se autorregulará com poderosas cólicas e diarreias para os que comerem mais chocolate do que o que lhes pertence o que é um modelo behaviorista de aprendizagem social. Os outros aprenderão versões económicas da bondade e da generosidade: oferecerão, no metropolitano, quadrados de chocolate das suas tabletes pelo simples gosto em proporcionar prazer a alguém com quem viajam. Se for um bombista/terrorista ou hesitará em deixar a bomba tomado pela generosidade da dádiva, poderá acontecer trocar definitivamente a violência pela via parlamentar; mas se recusar o quadrado de chocolate, imediatamente soarão alarmes anti-atentado. Desativada a bomba a tempo, ele enviado para um campo de reeducação culinária. Poderá provar-se que muitos delinquentes não receberam uma dose adequada de chocolate durante a adolescência, donde a atitude antissocial e a sua radicalização. Discute-se a responsabilidade de um estado parco em cacau na indução de muitos crimes e propõe-se que muitos criminosos sejam absolvidos e alvo de um tratamento de choque com cacau, oral, endovenoso e em clisteres.