Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

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Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

o cidadão Nuno

Como dar valor à humanidade sem ser pela pertença? No papel de Pai Natal tão inacessível? Contudo sinto simpatia por quase todas as pessoas, assisto aos seus gestos, apodero-me da sua insignificância como se fosse a minha, reconheço-lhes os motores e a algumas sorrio para evitarem gripar. Mesmo um assassino, um violador, um genocida têm a minha compreensão: os seus gestos são transformações lógicas de outros gestos, de vivências, de atitudes nas quais eu estou e encontram um lugar na matriz cataclísmica que leva o Mundo para algum estado sucessivo. O arrebatamento do assassino perverso, a sua perpétua clausura, mesmo a forca, são regulações transcendentais como os peixes que comem as crias ou os seus parceiros sexuais com um fito estratégico muito além deles. Não está provado que, sem a maldade, o Mundo ficasse melhor, assim, confiro-lhe um lugar, secundário, embora. O sublime do amor, o altruísmo da maternidade, mesmo a teoria do conhecimento pertencem a uma cadeia de pais e mães enraizados em palavras que condenam o assassino e o violador e o que de mim os segue reúne-se na aprendizagem civilizacional da cascata de antecedentes e étimos volantes da palavra «eu».