Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

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Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

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A RELEVÂNCIA DA LITERATURA RELEVANTE  

Uma das perguntas insolúveis que hoje se colocam à humanidade em geral é o significado da expressão «literatura relevante» que pode ser generalizada a «produção artística relevante». Se continuarmos a alargar a extensão da pergunta chegamos ao humanamente relevante, o qual contém, eventualmente, já uma parte da resposta no sentido em que: 1) a relevância da literatura está contida na relevância de qualquer atividade ou acontecimento ou o que seja, para a humanidade, 2) subentende, também, que fora da relevância para a humanidade não poderá existir nem literatura nem arte relevante, 3) logo que, quando uma nação extraterrestre nos visitar nada teremos de relevante para lhe oferecer já que este relevante se circunscreve a um relevante humanista. 4) Por outro lado, a humanidade transforma-se ou, pelo menos, varia aquilo que ela considera relevante ao longo das épocas já que a maior parte da literatura não tem a relevância intemporal da «Epopeia de Gilgamesh» ou do «Fausto» de Goethe. Portanto, poderíamos entender que relevante é a literatura que age sobre a humanidade, sobre o que ela pensa, sobre o que ela valoriza, sobre o que a movimenta, sobre o que ela antes defendia e agora passa a defender, sobre tudo o que poderá influenciar o seu destino ou deslocá-la de um estado para outro. Muitos acharão demasiado restritiva esta noção de «literatura relevante pois exclui o entretenimento quer do artista quer do seu público. Muito do que é relevante para a humanidade é aborrecido de ser pensado, complexo de considerar, temível o que nos chega a exigir – uma mobilização crítica em relação aos caminhos que a civilização ensaia e uma submissão revolucionária aos pressupostos conservadores dos estados e da ordem internacional. Por serem mistificadores esses pressupostos confundem-se no poder, tornam-se a autoridade do poder, constituem-no. Assim, tornam-se relevantes, humanamente relevantes. Conseguiremos uma literatura cosmicamente relevante?