Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

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Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

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COMO DESCARREGAR AS NOSSAS ENERGIAS NEGATIVAS

Muitas pessoas beneficiariam em ser externalizantes, em se deixar levar pelos seus impulsos sem temer as consequências, roubar um lápis ou uma cereja ou ser desagradável com um fiscal das finanças; ou em dar menos atenção a tantas tarefas em que nos envolvemos com grandes razões, entretanto esquecidas; ou, até, responder com um encontrão ou um insulto a alguém que nos maltrata na rua ou a um bêbedo que nos acorda de madrugada.

Ser externalizador é colocar a energia negra que nos alfineta o cérebro em objetos exteriores sem selecionar criteriosamente os que carecem de correção, ser levado como as ondas rebentam pela energia do vento.

Se o mar interiorizasse essa energia as vagas rodopiariam pelos abismos abaixo arrastando tubarões, trilobites, caranguejos, surfistas e outros artefactos que se interpusessem, talvez um submarino nuclear.

Quanto a estes é bom que não sejam externalizadores, que as suas frustrações rumorejem, torturantes, no seu bojo inconsciente e que por lá circulem numa guerra fria interminável.

É a tranquilidade que desejamos para o mundo.

Não lhe chamamos paz, não queremos paz, tememos a paz que submete os externalizadores e deixa os internalizadores à mercê das injustiças que a paz corrige lentamente.

A paz é distraída e egoísta; mascara-se de paraíso e cava assimetrias, confunde justiça e benevolência.

Se mais pessoas roubassem lápis ou cerejas ou fossem antipáticas e mais desresponsabilizadas dos seus deveres, poderiam contar com uma espécie de brandura da justiça que não é benevolência, mas impotência.