Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

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Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

criminologia transhistórica

Quem diz que mata, matará se tiver uma ocasião? Matará qualquer cidadão odiável, não apenas os funcionários do estado disfarçados de Gengis Khan que ameaçam quem não os bajule? Poderá qualquer humano proceder ainda hoje como um verdadeiro bárbaro e aniquilar os delinquentes que encontra a ocupar com os seus devaneios de domínio um espaço mental que se desmultiplica dezenas de vezes por hora? Não existe um tratado da vertigem da palavra nem foi estudado o síndrome de Adolfo Napoleão numa perspetiva estética como foi feito para a luta de classes. São domínios onde se fala da morte provocada para retirar a vida das estatísticas gerais. É diferente dos danos colaterais dos bombardeamentos terroristas. Esta é a morte de Zaratustra barafustando para as cabras da montanha, instando que capturassem o fogacho do génio humano e se transformassem pela leitura: supercabras dando supersaltos lógicos de uma moral de escravo para outra de ganso na engorda. Os utopistas acreditam que tudo se transforma pela leitura; supercabras, cada uma com a sua própria montanha e, supersaltando, esperando sempre atingir algo de novo. Saltam obstáculos cada vez maiores. Os ecrãs são muito nítidos, cada obstáculo suscita um outro e, no fim do jogo, o mundo poderia estar refeito se o poder da mente prescrevendo mundos melhores passasse do virtual à propagação. Seria preciso estar de fora para responder às questões, mas ninguém está de fora, cada qual com a sua pequena solução eriçada, fecha-se na gruta, acende as luzes e joga o melhor possível. Cabras e homens domesticados em sede estatal, superhomens, e supercabras nos seus píncaros clandestinos podendo abusar da simetria das coisas simples, dirigem-se ao respetivo património genético e interpretam cada gene um a um: «O que fizeste tu pelo planeta?», «Onde colocaste a gravidade e a atração?», «Pensaste o tempo?». Uns respondem: «Sou um humanista, escrevo cartas aos amigos, envio a alguns anedotas pornográficas pois não sei para onde levar a humanidade», mas as respostas são múltiplas e, em geral, reducionistas. Muitos dos crimes ficaram impunes por afetarem globalmente grandes porções do sistema de uma forma inabarcável pela miopia transnacional: serão matéria de grandes julgamentos públicos superproduzidos cuja mensagem publicitária será sempre: «Como seria diferente o Universo», mas nenhum crime afeta o universo.