Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

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Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

EM LISBOA  

Viver ternamente numa poesia de esconderijos, percorrendo uma estrada para todos os lugares. Andar às voltas. Parar num sítio totalmente sólido com uma catedral arruinada. Aí, encontrar vestígios do que é inexistente em resultado de um mapa errado e de uma atração essencial pelo erro. Nenhum tesouro dentro da catedral, nenhuma imagem, nenhum documento sagrado. Em Lisboa, alguns fetiches cumprem critérios de paradoxos sociais os quais os pombos envolvem numa paz de caca. Donde os esconderijos – à margem. Na margem, o que sobra da rapidez do dia; os códigos sempre obsoletos, uma espécie de plenitude pesada que imana do demorado planar dos desencontros. Além, o rude sono nos detritos dos subúrbios escapa do romantismo radical das indigências. Viver e pensar é uma navegação passiva por Lisboa, o seu indomável silêncio.