Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

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Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

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Júlio César e a Europa

Quando Júlio César conquistou a Grécia, declarou do cimo do Parténon: «Aqui será a capital de um império de paz e civilidade. Daqui, o latim se enriquecerá com a beleza destes templos alvos, tal como uma razão que subsiste por si. Irradiará para toda a Europa, a língua irmanar-nos-á e a justiça será fraterna e democrática, todos cidadãos da mesma república e todos os deuses serão bem-vindos». A pitonisa não confirmou César: «Muitos mais sonharão como tu com uma comunidade de nações não coerciva do Atlântico aos Urais, do Mediterrâneo ao Polo Norte, mas muitas tentativas serão violentas, esmagamentos, destruições, saques e, no final, não perdurarão. Só muito adiante vejo uma comunidade formar-se por uma atração benfazeja pela cultura democrática». Hoje, que conseguimos fazer o olhar retroceder até aos neandertais e antes, conseguimos assim perceber a inteligência da bondade, a matemática da generosidade, a economia da compaixão. Podemos perceber o altruísmo do interesse e da violência pois os caminhos políticos enviesam-se e as pessoas confundem-se, ainda assim, chega-se a uma nova situação que nos parece preferível só porque o que aconteceu levou a que acontecesse. A Europa parece construída por golpes do acaso logo aproveitados por uma sincera vontade de paz. Foi ao que as guerras nos conduziram, a um pacifismo ativo, armado, por vezes beligerante, quase sempre ingénuo, mas bastante diferente da paz romana de Júlio César. Ignoramos o que mudou, mas o poder dispersou-se e hoje aceita-se que é desnecessário alguém dominar. Do alto do Parténon olha-se para dentro, e não para fora como Júlio César, sem grandes afirmações sobre o futuro embora ao olhar o lugar da estátua de doze metros de Atena no centro do templo, vemos como condicionou a sua arquitetura e não gostaríamos que a burocracia europeia continuasse a crescer da mesma forma paralisante. Vemos em Londres o Parténon saqueado, vemos uma Europa caluniada, incapaz de se defender, esta deusa burocratizada, envelhecida, incapaz de persuadir. Precisa que a defendam.