Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

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Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

no plano do «onde?», «por onde?», «para?», «até quando?», o «para quê?»

Vindas de todos os lados as vozes anunciam coisas simples: erigir uma montanha, escavar um túnel sob o oceano, no espaço construir uma cidade totalmente pré-programada em que a liberdade individual dê lugar à plena funcionalidade estatal. As vozes nada de transcendente defendem, praticam um humanismo simplificado. Não sabem desejar nada de grande, não antecipam nada de inexorável nem querem um mundo especialmente melhorado. Apenas nos entretêm, querem desempenho, procuram atrair a atenção, querem ser louvadas e, se possível, estimadas, mas estão dispostas a trair, estão dispostas a todas as contradições para obterem um minuto no foco dos holofotes que utilizariam numa vã saudação à restante humanidade e todos se identificariam com elas, com o seu bom exemplo de conformidade. Nesse minuto de brilho haveria toda a verdade, todo o pensamento, justificado, e o que jamais foi pensado, num golpe de sorte, lá estaria com a sua bandeirola; seria num minuto, a eternidade. De todos os lados donde as vozes vêm contam as mesmas coisas extraordinárias, tão extraordinárias e tão comuns que parece nada haver de comum nas vozes, ou nada haver de extraordinário nas coisas impossíveis que as vozes clamam.