Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

os novos modelos de cérebro

Podemos dizer que os principais problemas da humanidade estão resolvidos. É cedo para dizer que este formato de cérebro, modelo sapiens, está estabilizado, ou se uma nova mutação, da mesma ordem da que introduziu a linguagem, não proporcionará vantagens face aos cenários criados pela artificialidade planetária e se nesta nova antropoecologia, um novo modelo de cérebro não acabará por se impor em poucas gerações. Seria uma neandertalização do homo sapiens semelhante à que os sapiens fizeram aos homo habilis ou aos neandertais. Penso tratar-se de outro tema a ser debatido na ONU já que as suas implicações dizem respeito a toda a humanidade e não existe um referencial ético para o pensar, pelo contrário, esse debate teria que o criar ou, pelo menos, escolher entre: 1) Limitar a expressão demográfica dessa nova espécie homo a uma aturada investigação genética das suas caraterísticas neurobiocibernética no sentido de tentar inocular os respetivos genes no património genético da atual humanidade. 2) Tentar uma hibridização progressiva e cautelosa no sentido de monitorizados os seus efeitos nos novos produtos genéticos a fim de manter o controlo sapiens sobre o planeta e deter o processo caso surjam riscos sistémicos. 3) Será possível que a ONU, que representa «esta» humanidade decidir noutro sentido que não a sua defesa?, isto é: a) teria legitimidade para o fazer?, b) teria autonomia política para se distanciar «desta» humanidade e pensar e decidir num referencial de interesses sistémico extra-humanitário?, c) que referencial seria esse? Continuo a achar que há humanos atuais muito interessantes, mas têm de ser bem escolhidos e, em geral, não esperar demasiado deles, dos seus afetos, das suas promessas. Provavelmente, alguns de nós já nos sentimos um pouco afastados da média, um pouco desadequados da vulgata mediana e a acreditar que as nossas soluções para os novos problemas planetários são meritórias e que deveríamos estar agora na ONU a apresentá-las. Provavelmente cairíamos dentro de uma das seguintes categorias: A) Os demagogos vulgares da política populista. B) Os lunáticos prolixos com ou sem diagnóstico psiquiátrico. C) Os sobredotados de cujo pensamento emanaram novas formas, as quais influenciaram outros humanos, as suas ideias, os seus valores, as suas práticas, a sua cultura. Mas não me repugna a ideia de uma variação para outro modelo de cérebro, se tal for a decisão da ONU . Alguns destes modelos deveriam ter a oportunidade de se multiplicar. Não seria preciso invadirem um banco de esperma para terem a sua descendência a proliferar com sucesso. Se a nossa atual inteligência (mesmo a dos C) sobredotados) já é dependente da hereditariedade, ainda mais será no caso desses novos modelos de supercérebros. É pena não haver um registo escrito ou documental do convívio dos sapiens com os neandertais pois poderíamos antever o que sentiremos quando nos aparecerem seres com esses novos cérebros. Seremos capazes de fruir a sua genial companhia ou temê-los-emos e tenderemos a exterminá-los?