Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

para uma teoria do limite

É preciso produzir mais teorias. É preciso que todas as descrições colapsem numa fórmula e que seja bela essa fórmula. Depois, juntá-la a outras fórmulas e que criem um sistema. Antigamente eram belos os sistemas – e fechados. Os seus contemplativos autores eram seduzidos pela ordenação que é uma crença de que é possível levar o conhecimento até à abstração onde cada coisa desaparece. Este saber apenas se escapa da diletância se encontrar no seu limite uma indicação moral ou um pragmatismo teológico. Senão confunde-se em explicações sobre a própria existência, quer fundar-se nela e ir além dela. Devemos, no entanto, evitar a teoria da produção de teorias pois sempre que o cérebro se envolve no que pensa – sorrindo, pensando subir um degrau no rigor do seu cinismo, fica mais isolado no cimo da cabeça, como um jogador de casino no meio do deserto fazendo apostas que ninguém pagará. Ganha sempre pois nada o impede de fazer batota e tem à disposição os indícios, mas para a teoria do que lhe acontecerá precisa de mais indícios. Nem depois de acontecido percebe como o prazer do jogo o conduziu à previsibilidade e como, no limite, esta é indecidível. Portanto são precisas novas teorias, mas que desta vez não falhem.