Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

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Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

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crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

POLÍTICAS DE NORMALIZAÇÃO 1  

É preciso levar mais longe as políticas para a normalidade. Hoje, de uma forma muito hipócrita, as sociedades definiram os seus objetivos a curto-prazo: 1) dominar pela disseminação exaustiva dos seus pressupostos fundamentais, 2) dominar minando os pressupostos fundamentais dos grupos antagónicos, 3) dominar pela sufocação económica dos que se rebelam e pela sobre-saciação dos aquiescentes, 4) dominar pela diplomacia religiosa, 5) dominar pela alienação de possuir objetos saciantes que carecem da sociedade para lhes dar um sentido, 6) dominar pela progressão despudorada das ameaças policiais e militares com as respetivas ostentações de poderio, 7) dominar pela guerra aberta. Em algumas situações, as sociedades põem a hipótese de dominarem pelo extermínio dos seus adversários quando o saque e o roubo é mais vantajoso que submetê-los, noutras, esse extermínio decorre dos mecanismos de confronto militar e é apresentado como inevitável, por exemplo, lançar uma bomba atómica que extermina uma cidade inteira. A maior parte das pessoas, perante a insistência do estado, concede em ser normalizada; frequentemente abandonam-se à dominação mais poderosa, apenas regateando um pouco as vantagens individuais (as indulgências do domínio), mas a normalidade também pode ser alcançada de uma forma anti-zaratrustiana eliminando a tragicidade da vida: seja retirando a cada cidadão a oportunidade de ser bondoso, ou criativo, ou altruísta, ou heroico (ou de se rebelar, ou de assassinar, ou de se imolar), mas a normalização das pessoas leva a homogeneidade do estado e esta entope a vida do estado (como um cadáver morto de tromboses e infartos).