Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

POLÍTICAS DE NORMALIZAÇÃO 2  

A normalidade é um ideal democrático. E deve ser um ideal democrático essencial à democracia. As crianças deverão ser educadas para se constituírem como réplicas umas das outras, imitarem a genialidade recíproca e imporem-na aos seus assustados pais. Estes deverão segui-las por um amor que é um temor plurifacetado: 1) que o estado as sonegue e os deixe sem subsídios, 2) temor da respetiva deturpação genética: eles conhecem a própria monstruosidade, 3) por uma espécie de «Ide e multiplicai-vos» para paraplégicos onanistas, 4) a própria decifração dos noticiários, a opinião pública, o ondular da cultura perdem as vogais se as crianças forem substituídas por robôs divertidos, 5) pais e filhos amam-se e temem-se tal como os estados fazem alianças e traem-se, tal como os estadistas democráticos fazem promessas e quebram-nas. As crianças normalizadas dão significado a tudo isto pois a democracia implica uma abnegação necessariamente desigual que os pais aceitam melhor do que os cidadãos libertários, que os libertinos e que os celibatários. A normalidade, assim definida como o teatro das parecenças, é um ideal a atingir em família: há uma criação de variedade genética que ou aborta ou pare génios e alguns triunfam, há uma imaginação de devaneios a reprimir, um desejar ainda demasiado incorreto, há, remonta às hordas, uma tumultuosidade que faz as famílias hiper-protegerem-se, a loucura sobrevir de uma auto-centração infantil como um canguru numa matilha de hienas. Neste caso, como normalizar o canguru no referencial das hienas? A maioria está com as hienas e o canguru tem a estupidez natural dos seguidistas incapaz de pensar uma solução revolucionária que levaria a mudar um pouco o sistema democrático.