Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

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Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

Relatório sobre o que acontece

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SUBSÍDIOS PARA UMA ÉTICA CONTRA-ARGUMENTATIVA

Como é que um carapau habita num ninho de andorinhas? «Com ou sem andorinhas?». Procuro resolver os problemas de adaptação dos humanos nas viagens interplanetárias; procuro modelos etológicos de convivialidade – não me tome por um idiota, nem por um inglês com piadas insensatas. «As andorinhas levantariam ao carapau a complexa problemática da socialização alienígena, potenciada pela diferença de meio. É este o problema?». Verifico que é sensível ao politicamente correto, mas poderemos, ainda, seguir a declaração universal dos direitos dos humanos?, estendê-la, sem restrições, a todas as outras civilizações? «Toda a vida nasceu na Terra há muitos milhões de anos. Depois, esse todo fragmentou-se e polinizou alguns outros planetas». Ou a vida nasceu toda nos locais onde se desenvolveu – dessa proto-história nem a paleontologia guarda vestígios, mas imagina o primeiro episódio de reprodução sexuada, o primeiro ser vivo surpreendido por um orgasmo? «A introdução do prazer na aramagem (hardware) da vida revelou-se mais versátil que a sobrevivência, como se esta fosse condicionada pelo prazer, mas ignoramos o prazer da andorinha e o do carapau». São estes problemas de adaptação que desafiam a capacidade humana de criar consensos e delimitar problemas: neste caso, implicitamente falamos do prazer da andorinha e do carapau como distintos: 1) por o carapau habitar o oceano e a andorinha os mares?, 2) pelas conotações do género da palavra «andorinha»: fêmea, aérea, grácil; e de «carapau»: determinado, gregário, sério? 3) pelas conotações sexuais da andorinha: fêmea, aérea, grácil; e do carapau: determinado, gregário, sério? 4) porque omitimos o carapau fêmea e a andorinha macho arrastados, apenas, pelo género das palavras? Aplico-me na correção dos grandes erros da humanidade: tenciono corrigir a discriminação machista às mulheres, derrubar as estátuas dos heróis que não as respeitaram. «Quem é que você representa, que autoridade tem?». Sou um puro anti-machista estético, defensor das andorinhas macho e fêmea, porque defendo uma ideia de andorinha ainda que algumas possam amar um carapau que as tiranize. «Acha, portanto, possível estender o declaração universal dos direitos humanos a todas as espécies? «Não lido com o que é possível, mas com o que está certo. É assim a adaptação dos humanos e será assim nas longas viagens intergalácticas, o comportamento humano semelhante ao das andorinhas. «Como é que um casal partilha o seu pequeno apartamento com um estrangeiro (ou a sua nave intergaláctica)?». Tomo o carapau num ninho de andorinhas como uma possibilidade, não como fundamento de uma norma, portanto, não me obrigo a ser plausível, mas a criar boas normas.