Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

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Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

CHIADO

Ainda bem que os portugueses já não leem.

Foram à Índia, jogam futebol, tratam do PIB – desenrascam-se.

Dizia-se que a poesia eleva: tudo o que um português precisa é de ter os pés bem assentes na terra, que é dura e pedregosa. Um livro são ideias que já foram pensadas – melhores ou piores, ideias em segunda mão. Um português constrói o seu próprio livro. Escreve-o ou desenrasca-o – ou passa bem sem ele e diz «Que se lixe».

É diferente de um inglês que lê Shakespeare sem dividir as orações nem estudar sintaxe ou de um espanhol com o seu Cervantes. Um português não é um idealista como o Quixote nem realista como o do burro; está nas coisas como Camões que era um aventureiro pragmático o que, em português, significa idealista e realista consoante as conveniências.

Os portugueses gostam dos seus escritores e não os leem para que eles publiquem livros cada vez melhores, para que não se limitem, como Pessoa, a publicar uma única Mensagem.

Os escritores portugueses devem escrever pensando que toda a sua obra será póstuma e que terão uma estátua no Chiado como o poeta Chiado que poucos portugueses sabem quem foi.

 

 

MADAME CURIE  

«Hoje é domingo» assinala a banalidade que é o suceder no tempo – ao domingo, apenas jogos de futebol. Também, restos de acontecimentos que não foram conversas conclusivas nos dias passados. Quanto ao mais são os acontecimentos habituais das democracias parlamentares e as fachadas dos grandes bancos milionários como toupeiras esburacando o sistema. Corrompendo e asfixiando. Vendendo armamento. Antes havia Deus. Em particular ao domingo, havia Deus. Deus era mais ativo ao domingo ou aproveitava a nossa inação e a nossa bonomia para nos fazer pensar na melhor forma de organizar a semana seguinte. «Prever para prover»; ao domingo reparamos como pouco conseguimos prever, como as leis positivas que usamos na nossa meteorologia privada falham e quando nos desculpamos «É complexo» já estamos a reconhecer o rotundo falhanço do nosso pensamento, estamos a abrir caminho para regressar a uma forma mágica de olhar a nossa vida numa perspetiva demasiado ampla como se ela coroasse a evolução da subjetividade e desta dependesse o aparecimento de novas espécies e de novos reatores nucleares. No íntimo temos alguma lucidez sobre a nossa insignificância e quando perguntamos à natureza «Donde vimos?, o que somos?, para onde iremos?» só podemos obter respostas falaciosas ou apodíticas, baseadas nas nossas próprias convicções. Fica, assim, difícil sair disto sem passarmos por uma razão metafísica que nos permita pensar as coisas, não como poetas líricos eivados de dúvidas sobre o espiralar dos aspetos como se nada os relacionasse, mas, aproveitando o ócio dominical, deveríamos examinar o que existe de nebuloso na nossa mente e, simetricamente, o que existe de mental numa nuvem, também pensar em como as nuvens aparecem e desaparecem do firmamento – como a humanidade na terra, e no entanto podem provocar grandes enxurradas, ou chegar a causar, com um dilúvio, o desaparecimento de dois terços das espécies. Hoje, domingo, a humanidade parece-me relativamente tranquila, talvez apenas porque os jornalistas estão de fim-de-semana, mas amanhã não me posso dar ao luxo deste pensamento translato onde as coisas interagem até com o nosso olhar e, ao tocá-las, ignoramo-las. Amanhã, nem Deus nem física quântica, as coisas têm que estar limpas, o ser-em-si separado de outras essências irrelevantes ou prejudiciais à sua pureza conceptual. Esta noção de contaminação vem dos primórdios da modernidade e marca a longevidade humana, mesmo se a radioatividade que cura também nos mata tal como as nossas dúvidas teológicas, ou filosóficas, ou meramente linguísticas, que sabemos hoje onde nos levaram.

A RELEVÂNCIA DA LITERATURA RELEVANTE  

Uma das perguntas insolúveis que hoje se colocam à humanidade em geral é o significado da expressão «literatura relevante» que pode ser generalizada a «produção artística relevante». Se continuarmos a alargar a extensão da pergunta chegamos ao humanamente relevante, o qual contém, eventualmente, já uma parte da resposta no sentido em que: 1) a relevância da literatura está contida na relevância de qualquer atividade ou acontecimento ou o que seja, para a humanidade, 2) subentende, também, que fora da relevância para a humanidade não poderá existir nem literatura nem arte relevante, 3) logo que, quando uma nação extraterrestre nos visitar nada teremos de relevante para lhe oferecer já que este relevante se circunscreve a um relevante humanista. 4) Por outro lado, a humanidade transforma-se ou, pelo menos, varia aquilo que ela considera relevante ao longo das épocas já que a maior parte da literatura não tem a relevância intemporal da «Epopeia de Gilgamesh» ou do «Fausto» de Goethe. Portanto, poderíamos entender que relevante é a literatura que age sobre a humanidade, sobre o que ela pensa, sobre o que ela valoriza, sobre o que a movimenta, sobre o que ela antes defendia e agora passa a defender, sobre tudo o que poderá influenciar o seu destino ou deslocá-la de um estado para outro. Muitos acharão demasiado restritiva esta noção de «literatura relevante pois exclui o entretenimento quer do artista quer do seu público. Muito do que é relevante para a humanidade é aborrecido de ser pensado, complexo de considerar, temível o que nos chega a exigir – uma mobilização crítica em relação aos caminhos que a civilização ensaia e uma submissão revolucionária aos pressupostos conservadores dos estados e da ordem internacional. Por serem mistificadores esses pressupostos confundem-se no poder, tornam-se a autoridade do poder, constituem-no. Assim, tornam-se relevantes, humanamente relevantes. Conseguiremos uma literatura cosmicamente relevante?

COISAS QUE ACONTECEM OU PODEM ACONTECER-NOS E TÊM QUE CONSTAR NESTE RELATÓRIO

Não me imagino anencefálico. Por um preconceito ligado à linguagem, «imaginar» carece de um cérebro que não se imagina sem a capacidade de imaginar. Se me despir dessas subtilezas concentrando-me no que sobejaria de mim, já imagino algumas consequências sobre o meu estilo de vida. Muita coisa, seguramente mudaria, mas desconfio que exageramos a importância dada ao cérebro. Pessoalmente, aprecio estilos de vida simples: o contacto com a natureza, a amizade de um cão, a jovial presença de um rouxinol e associo uma biblioteca ao pior que a humanidade produz: a vanidade académica, a pesporrência sobre a natureza, a questão do ser em formato de divagação pós-prandial, o plágio como instrumento de assassinato de pessoas que se dedicaram a uma obra, muitas teorias da guerra e do domínio. Como anencefálico gostaria de ter conhecido estes autores, alguns habitam a minha biblioteca. Julgo que iriam reformular muito do que escreveram depois de me encontrarem. Darwin foi o único que considerou o meu caso embora não tenha grande interesse em conhecê-lo dado o seu caráter difícil. Todos os outros escreveram para um ser humano que é uma abstração, uma ingénua idealização de uma espécie que se engana sempre que fala de si. Estou impressionado, em particular com os moralistas que foram incapazes de introduzir uma noção interativa de liberdade, supra-individual, portanto. É a esse nível que o cérebro tem impacto nas nossas decisões. Antes é um mero agente da nossa sobrevivência, demasiado preocupado com as refeições a horas e com a defesa do quintal contra as pragas e os vizinhos. Anencefálico, vivo sem planos; com os meus arcos reflexos simples passeio pelo planeta arrastado por tropismos de hidra como um vulgar turista reformado; não faço planos nem sei o que a morte seja. Para mim não existem senão cambiantes de luz, uma luz pura, luz vazia de forma e de informação, que, se eu tivesse imaginação, me permitiria todas as utopias. Assim, tudo é novidade para mim, todas as formas são isentas de história ou de significação; sou como o plâncton: vagueio pela simplicidade à superfície das grandes urbes onde é possível viver sem rumo; as coisas vêm sobre mim, tocam-me e enrosco-me nelas como um gato e devoro-as. São restos, lixo; proteínas de restos declarados lixo; são a democracia mínima da digestão afetiva das coisas que ninguém quer. Ou fujo delas se são grandes e escuras e avançam demasiado depressa sobre mim. Anencefálico, não antecipo o atropelo, o esmagamento, o extermínio. Fujo reflexamente como humano em pânico. Assim compreendo os movimentos de massas (pomposamente: sociologia) com os quais constroem uma epopeia que me exclui por ser anencefálico. Os outros autores tentam falar-me como se eu fosse uma criança, fazem figuras patuscas, um pouco ridículas linguajando como se recitassem mantras com a prosódia com que falam às vacas. Não me rio porque não me sei rir, nem sei avaliar o que é ridículo a não ser em mim esta premência tão diferente do pensamento. Apenas rio automaticamente quando hesito e rio das razões porque as ignoro, mas sei que se tivesse cérebro me riria de algumas razões importantes: ignorar o que pensar de mim permite-me uma incoerência libertadora, quase alegre. Só ouço a voz do corpo, a que fala de como é simples a felicidade e, até, possível. Por isso, este texto é propositadamente simples e sucinto porque um anencefálico não dá grandes explicações nem tem muito a dizer sobre si próprio, apenas que, se tivesse cérebro, o utilizaria melhor que muitos humanos, mas, assim, um anencefálico sente-se bem integrado entre eles.

SOBRE OS JARDINS PÚBLICOS  

Assim como, num jardim, deparamos com a personalidade do seu proprietário, também, num parque público, lemos a previsibilidade democrática dos canteiros e de espécies de plantas politicamente corretas. No jardim, individualmente, as cóleras do jardineiro que mutilou os cedros, os seus ardores passionais quando projetou o roseiral, as lágrimas de crocodilo que acompanharam os dias do jacarandá, o folgar com a cerejeira, o rojar-se como um linguado no relvado que acabou de aparar; tudo, no jardim privado, resulta da harmonia dos destemperos do jardineiro cruzados com a geografia do solo. Num parque (público), como num enorme Rorschach estatal, as pessoas projetam a sua própria intimidade com um recato variável. Percebem-se as preferências sexuais dos passeantes e os seus vícios, exibidos como atos no vazio ao alcance de qualquer um desde que apreciados com a reverência devida à cultura liberal da tolerância. Uma grande cultura produz belos jardins com a mesma legitimidade com que aprofunda um decote ou ajusta as calças às formas dos genitais ou transforma a lamúria da fome no cântico da adolescência perdida ou na epopeia do voto útil. De entre todos os modos de jardim, os franceses primam pelas convidativas sugestões eróticas em discretos arranjos de buxos labirínticos. Há uma elegância exuberante e palavrosa que chocará num parque britânico. Pelo contrário, nos jardins mouriscos há uma pesada intervenção sobre o solo como se a natureza fosse imprestável sem a manipulação humana. A presença da água é linear ou geométrica enquanto nos jardins japoneses a ideia de miniaturização do mundo e da domesticação das suas forças mais críticas pode chegar aos limites de um gosto obsessivo pelo controlo, mas enquanto nos jardins árabes esse domínio da natureza serve a ostentação do poder ou da riqueza, nos japoneses serve uma ordenação do mundo propícia aos pequenos pássaros cantadores e contemplativos. Do mesmo modo que os jardins, os cemitérios mostram como a vida se arreiga num povo e como a morte, tal como o sujo e a maldade, polariza os arranjos arquitectónicos das multidões silenciadas.

O EFÉMERO, A SUA INEVIDÊNCIA

Em saltos decididos as coisas passam deixando um rasto num sótão que não nos pertence. Não resistimos aos encontros breves, eficazes e insignificantes –imprescindíveis porque exercitam uma versão do amor politicamente correta. Hoje estamos, em muitos aspetos, no futuro de um mundo que desaba (como um fóssil se pulveriza). Tentamos tenazmente conservar o que poderia ter existido. É isso ser pós-moderno – nunca mais conseguir dormir sem brincar com as bonecas da infância simulando os jogos de poder dos estadistas, imitar as suas vozes agudas em debates parlamentares, muito histéricos, dizendo-se afetados pela situação nacional e manipulando, com variável mestria, os sentimentos populares. Mas hoje que os inimigos foram escalpelizados, a pátria são reservas de memórias que garantem as funções básicas do corpo até que a demência nos consuma. Vivemos de reminiscências soterradas nas cinzas cinéfilas de um grupo de acontecimentos que rejeitámos em tempo. Ainda cintilam os seus néones, os seus melodramáticos sarcasmos ao apogeu de uma natureza neandertal assustada com o mundo. Hoje é diferente: a pressão das frases (plágios, recitações, apropriações) exalta cada minuto do pensamento como outros direitos que atribuímos à humanidade e, quando somos homenageados, comportamo-nos como os estadistas, assim conseguindo que muitos leitores nos defendam. Assim julgamos confirmado que a literatura continua a servir uma completude politicamente necessária. Numa perspetiva eleitoral (ou literária), cada humano é um intestino que num polo vota e no polo oposto é um sofisticado cidadão enaltecido com os seus heróis cinematográficos (longos mantras em ilimitado reservatório de panoramas sociais). Ao adormecer no relento da solidão, resignados à dor do que pode faltar ainda, uma pastilha anti-caca substitui a fome por um ideal de limpeza. Sim, o equilíbrio e sustentação são práticas anti-tecnológicas. Depois, passar a noite de sonho em sonho, a refletir sobre a noite de sonho (e, melhor que o sonho, construir os versos do sonho), com a fadiga de milénios as suas evidências periclitantes descem das nossas crenças e temos todos os poetas abertos sobre o palco do «mim. Podemos plagiá-los numa escrita de hífens como esta. São lépidos os adjetivos que sobrevêm no cinzento terminal da voz, mas riscamo-los para que nada transpareça. É uma estética própria, a obra pode acabar sem nada acrescentar: assume-se a realidade aparecer já construída e valer por si sem precisarmos de trepanar a nossa ténue presença (além da existência, tudo permanece válido no nosso nicho civilizacional). Despedimo-nos. Separamo-nos deste filme. Antecipámos em quantos planos a palavra nos desdobra – a corrente que nos arrasta persuade-nos de um destino – é o significado de pós-moderno. Podemos dirigir-nos a um estrangeiro e confiar-lhe a vida, pagando-lhe. Dizemos a sorte saltar no destino, fugir para outra personagem, para a sombra da musa, voluptuosa e sintética, que diz a impotência mover o poema seguindo apenas inclinações subtis. Nós seguimos por seguir – desejamos o castelo iluminado pela lua e temos a sopa ao lume.

elogio da cultura

A cultura serve o acondicionamento. É ao que a usamos. Ainda que muitos escritores, poetas, artistas, filósofos que lemos possam ser muito críticos do sistema, lemo-los pelo seu pitoresco como a biografia de Genghis Khan nos diverte. Abstraímos da devastação que provocou, do sofrimento de meio mundo derrotado pelas suas hordas de cavaleiros. Abstraímos do terror e chegamos a sentir alguma simpatia por um torcionário violento apenas porque nos entretém. É ao que serve a cultura, uma informação tornada «arte» de modo a ser pensada abstraidamente, nós acondicionados numa neutralidade própria, como um deus em férias confia que o seu universo se expanda e que não surjam mais humanidades problemáticas. Tal como um deus em férias não intervém no seu universo, a cultura dá do mundo uma imagem de estabilidade: ela apropria-se de Genghis Khan como da Sibéria e de Auschwitz ou de qualquer utilizador de bombas atómicas; as coisas ficam bem explicadas, envoltas numa atmosfera artística que as torna visíveis sem precisarmos de as justificar ou de as tornar decentes. Não que nos tornemos indecentes, não é ao que serve a cultura, mas acondiciona-nos quer neste sentido de até o terror nos entreter quer no sentido de nos adaptarmos a ele e aos seus terroristas. A cultura serve para colocar todas as possibilidades – ela é criativa – a mensagem que passa é que de entre essas várias possibilidades para o universo, o que efetivamente aconteceu, aconteceu por uma necessidade orgânica de que assim fosse e não de outro modo e que se voltássemos atrás numa máquina do tempo, mais valia não interferir no acontecido ao qual estamos acondicionados. Ainda assim é bom que os escritores, poetas, artistas e filósofos continuem a produzir obras que durante um curto instante possam mudar alguma coisa antes de serem absorvidas como Genghis Khan ou as visitas turísticas a Auschwitz.

os efeitos colaterais

Quem são as pessoas que pensam os humanos? São pessoas que se julgam capazes de o fazer como se não fossem humanas ou, pelo menos, julgando-se acima das disputas que ocupam os humanos históricos de todas as épocas sobre as várias verdades necessárias à correção, e acima, também, do arrazoado de disparates que justificam o que não carece de justificação. São pessoas que adotam posições estritas sobre o estômago, os rins, o coração e que acham que o pâncreas nunca produz a quantidade de enzimas suficiente para que as digestões decorram tranquilas. Nunca conseguem uma atitude neutra e objetiva sobre o humano e ainda são mais adversativos no que refere ao cérebro, em parte porque têm estômago e coração e pâncreas e cérebro como os outros humanos. São mais humanos que cientistas, não conseguem ser mais cientistas que humanos: carecem do poder, de uma fórmula edipiana de contornar a individualidade, de uma instância que atribua a cada cidadão um cartão de identidade com um nome e um número e uma obrigação estatal de ser aculturado. A noção de poder remete para quem o exerce, logo quem o exerce tem poder e o poder tem supositórios de cartilhas, tem xaropes de anti-obstipantes legais e infindas ladainhas com as historietas da nação e impinge-os criando a sociedade. O humano individual é uma abstração, só os múltiplos são humanos estudáveis e pensáveis como humanos. As pessoas que os pensam amam formas menores de poder, e distorcem-no – dissecam-no e legitimam-no como anarquistas suicidas.

extrapolar

 

É importante conhecer bem o rato. Conhecemos bem o rato de laboratório que é uma versão do rato natural preparada para demonstrações científicas. É preciso conhecê-lo bem para podermos extrapolar o que descobrirmos para o nível humano ainda que com alguma cautela. O humano atual também é uma versão que evoluiu sujeita a um meio que ele próprio modificou e essas modificações do meio ganharam uma representação simbólica na mente do humano que o afeta e que ele já não controla. É neste contexto que dizemos que tudo é cultura, tudo o que pensamos, pensamo-lo porque alguém antes o pensou, e outro antes dele, sucessivamente, até alguém, um grego, em geral, que pensou a forma como o nosso pensamento deveria pensar as coisas. Esperamos que o rato nos ensine o caminho até um homem liberto, com os seus instintos pouco educados, mas um sono claro, não torturado pela dúvida sobre o próprio pensamento, amando as coisas à primeira vista num jardim japonês e repelindo as coisas que o envenenam. Como será o livro que escreverá esse homem sem a nossa cultura, como será a sua linguagem, o seu deus sem a Mesopotâmia, o seu pensamento sem os gregos?