Nuno Félix da Costa, Relatório sobre o que acontece, Portugal

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Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

Relatório sobre o que acontece

crónicas sobre o que acontece ou o que parece acontecer

O NADA DA PERGUNTA JÁ É ALGUMA COISA    

Nunca percebi como um poema começa. Temos de definir uma zona de improbabilidade onde o tempo flutue como uma musa no éter; «musa de éter» e «musa no éter» equivalem a esse nada – e onde apareço eu? As sílabas da pergunta descamam-se sem fim em destinos que não atingem o ponto onde estamos; assim, memória e sonho se abraçam num oceano de éter. Todas as descrições falham quando pretendemos a origem. Posseidon e a musa amam-se como o poema se expande – cósmico, mas é outro o infinito que a página parece limitar, e prorrogável noutra página onde também não estou, mas não indefinidamente.